A OFICINA DO SENTIMENTO

Um manejo clínico possível, em uma Instituição Total.

* Trabalho apresentado no II Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos. UERJ – Maio de 2008,

Autora: Paula Muniz


Descrevo neste trabalho, a experiência de desenvolvermos um dispositivo clínico em grupo, que funcionou numa parceria entre o Serviço de Psicologia, o estágio em Psicologia e Terapia Ocupacional de uma Clinica conveniada ao SUS na Baixada Fluminense, para internações masculinas (hoje desativada). Em que objetivou-se a apresentação de um outro setting clinico em que privilegia-se a circulação da palavra e estimula as trocas sociais entre os participantes.


Esta experiência trouxe um diferencial enquanto uma possibilidade de trabalho para a abertura de discursos individuais, a reabilitação psicossocial e alguma forma de inclusão desses sujeitos ainda internados. O uso de recursos das artes plásticas foi à ferramenta utilizada como âncora de partida para o discurso individual nesta atividade. A atividade artística executada não é um fim, e sim um meio, pelo qual o sujeito apresenta-se e reposiciona-se frente à instituição. Discutem sentimentos, atitudes e projetos no decorrer da confecção dos quadros, em que o ritmo com que batem os dedos com tinta e a mistura de cores portam a voz cheia de sentido e marcam a tela com o discurso daqueles que ainda desejam algo.


Os quadros apresentados ilustram uma experiência de grupo e a invenção de um dispositivo clínico e também de convivência terapêutica dentro de uma instituição total de Saúde Mental, em que resultou na reinvenção de um cotidiano, uma maior circulação da palavra e a implicação desses sujeitos não tão somente na formulação da oficina como no seu estar no Hospital. Chamamos esse dispositivo de Oficina do Sentimento[1].



[1] Nome escolhido pelos participantes da Oficina.

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