TÉCNICAS EXPRESSIVAS PLÁSTICAS

Bonecos (marionetes) e encenação. O ancestral da marionete é o jogo mascarado do feiticeiro.As atividades não são exclusivamente plásticas. A representação teatral ocupa um papel muito importante. (É) uma maneira de cerrar um processo de elaboração simbólica.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)

Bordado. Representar símbolos com agulhas e fios permite literalmente "pegar o fio da meada" e dar presença e continuidade a uma ideia ou sentimento. Fazer o nó e passar o fio ponto por ponto firma internamente o propósito. O bordado tem também a vantagem de poder ser feito e desfeito, auxiliando nos processos de permissão de desconstrução e correção de rota.

Caixa de areia. Há a associação de um espaço delimitado (caixa), onde está contida a matéria (areia) e objetos, favorecendo o nascimento da representação de conteúdos profundos. (BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)

Colagem (de papéis diversos rasgados / cortados, tecidos e materiais orgânicos e outros)A colagem é uma atividade multiplicadora. Quando se trabalha com figuras previamente recortadas entra-se em contato com uma infinidade de símbolos muitas vezes sem consciência do seu significado. Colar é ligar uma coisa com a outra. Estabelece um vínculo.(BAPTISTA, Ana Luisa, in: Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)Se (os arte terapeutas) supervalorizam esse modo de expressão (...) com colagens surrealistas (cuja razão de ser é, deliberadamente, criar um efeito de surpresa provocadora) eles arriscam-se generalizar no ateliê. A posição (do arteterapêuta) situa-se, antes de tudo, em um registro de cuidados, ainda que a busca estética e criativa esteja, aqui, em permanência associada. Nessa técnica, a distância é mais difícil de ser estabelecida (...) e mais necessária que em qualquer outra técnica (pelo fato dos elementos “pré-fabricados” reutilizados em outros contextos).(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)

Costura com retalhos (Patchwork)Usado em arteterapia, nos revela verdades profundas sobre mudanças, que vão sendo costuradas para se obter o que se deseja na vida, em direção ao nosso crescimento. Em outras palavras, ajuda a estabelecer metas, a comprometer-se, a planejar e ter responsabilidade. Todos esses componentes (ajudam) a recompor todas as nossas partes formando um todo e tornando-nos inteiros.(SILVEIRA, Martha Magalhães da. Conversas em arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Desenho (com lápis, canetas hidrográficas, pincel atômico, giz de cera, pastel oleoso ou seco, carvão, tinta nanquim)Na maior parte do tempo os terapeutas interpretam o conteúdo imediato do desenho, a história que ele conta. Mas o que interessa ao arte terapeuta é o movimento que permite – o que impede – o sujeito de colocar em forma este conteúdo. As atividades propostas na arte terapia (...) tentam diminuir o rigor do desenho de base, colocar em desafio a sua lógica. (PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)É preciso olhar o mundo com um novo olhar e permitir tornar-se visível.(CRISTO, Edna Chagas; SILVA, Graça Maria Dias da. Criatividade em artetarapia: pintando e desenhando. Rio de Janeiro: SENAI, 2002.)

Desenho em quadrinhos. Conduz-nos ao domínio dramático das relações têmporo-causais. De um quadro a outro, alguma coisa se conserva (cenário, personagens) e alguma coisa se transforma. O sujeito tem a possibilidade inconsciente de escolher o que é possível dizer e o que é possível representar no vir-a-ser.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Escultura em arame. A estrutura em arame – material frio e resistente, que pode ser amassado, dobrado e cortado – traz o trabalho com ângulos e o reconhecimento dos limites. O arame se flexibiliza, mas com bastante dificuldade.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Escultura em madeira e pedra. O trabalho com o entalhe e a escultura em madeira e pedra impõe a obediência a partir da resistência do material, uma vez que não se pode voltar atrás no que foi retirado. Ao tirar trabalha-se o desapego. Faz-se necessário respeitar o que é determinante na matéria para utilizá-la.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Fotografia. (tradicional, alternativa e artesanal)Fotografias mostram o cenário no qual as atividades diárias, os atores sociais e o contexto sócio-cultural são articulados e vividos. As “narrativas visuais” (através de fotografias), devem portanto constituir-se como forma de diálogo entre o terapeuta e os sujeitos envolvidos no processo.(ARAÚJO, Doralice. A fotografia na arte terapia. Imagens da Transformação No. 10.)A fotografia traz a síntese do momento vivido. (BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)

Linoleogravura. Ela se aproxima à gravura sobre madeira, da qual se distingue somente pelo material, que induz um trabalho mais grosseiro. Esse trabalho deve ser executado com muito rigor. É uma das únicas técnicas onde o arteterapeuta não pode aceitar um projeto “aleatório”. A prova imprimida surpreende o sujeito, principalmente, pela inversão da imagem. Atividade cansativa que se desenvolve em um ritmo lento. (PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)

Mandala. Conduz para a ordenação do caos interior. (GOLINELI, Rinalda; SANTOS, Wanderley Alves dos. Arteterapia na educação especial. Goiânia, 2002.)Nos ajuda a recorrer a reservatórios inconscientes de força que possibilitem uma reorientação para o mundo exterior.(SOARES, Dulce Helena Pena et al. O uso de mandalas na orientação profissional. In Questões de arteterapia. Passo Fundo: UPF, 2004.)Ficou óbvio para mim que a mandala é o centro (...) É o caminho para o centro, para a individuação.(JUNG, Carl Gustav. Memórias, sonhos e reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.)

Máscaras (em gesso, em papelão, em papel machê)O sujeito que retranscreve na fabricação de sua máscara seus problemas de esquema corporal, beneficia-se, (...) não naquilo que a máscara transforma seu esquema, mas naquilo que ela transforma a imagem que os outros terão dele, quando estiver mascarado. A máscara constitui um lugar de síntese de dois mecanismos que estão na base do psiquismo: a projeção e a identificação. Ser como um outro e conservar-se em si mesmo. A máscara não oculta nada, salvo o que é muito conhecido.A fabricação da máscara inclui todos os aspectos da criatividade: a capacidade de organização perceptivo-motora, a integridade da imagem corporal, a compreensão (...) da lógica do espaço, a representação simbólica da (...) história da cultura e da história pessoal. (PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)Através das contribuições das máscaras ao processo arteterapêutico, os símbolos inconscientes transitam pela consciência.(SOUZA, Leila. A confecção de máscaras em arteterapia aplicada a crianças hospitalizadas. Imagens da Transformação No. 9.)

Modelagem em argila. A argila é um suporte a nossos afetos.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)As imagens criadas comunicam uma dimensão nova da pessoa. Quanto maior for sendo o contato com a argila, maior serão as possibilidades de percepção, melhor será o auto-conhecimento e, conseqüentemente, sua relação com o mundo, propiciando que a pessoa viva de forma mais criativa e integrada.(CARRANO, Eveline. A argila como instrumento terapêutico e expressão do imaginário. Imagens da Transformação No. 9.) A argila, outro símbolo da Grande Mãe, dá forma a conteúdos inconscientes. Mobiliza a parte sensitiva do sujeito de forma a possibilitar o contato com outras sensações diferentes do visual. Permite a construção tridimensional e possibilita a regressão, principalmente quando trabalhada de olhos fechados. Já quando se utiliza argila molhada, enlameada, escorregadia, possibilita-se a vivência da sensualidade do contato.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)

Modelagem em papel machê, massinha, massa plástica (farinha de trigo e sal)A possibilidade de fazer emergir algo que está plasmado de modo bidimensional traz a criação para um estado de concretização visual distinta e necessária para a compreensão de significados.(URRUTIGARAY, Maria Cristina. Arteterapia: a transformação pessoal pelas imagens. Rio de Janeiro: Wak, 2003.)

Monotipia. A prova imprimida surpreende o sujeito, principalmente, pela inversão da imagem, mas também por efeitos imprevistos de sobreposições de cores que, seguidamente, tomam conta do desenho. Pode ser praticada com interesse (...) com aqueles que são capazes de uma recuperação do acaso para ir em direção a uma apropriação.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)

Mosaico (de papeis coloridos e materiais diversos)Essa técnica deve ser proposta não com o objetivo de fragmentar uma imagem, mas de buscar as vibrações coloridas.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)

Pintura (com guache, aquarela, ecoline, pigmento líquido, cola com pigmento líquido, pigmentos naturais, nanquim)A forma está ligada ao movimento enquanto a cor é somente sensação. A forma apela à abstração, ao reconhecimento do objeto, enquanto a cor provoca a sensibilidade e a intuição. A forma evoca o gesto, a cor traduz a emoção.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)A pintura, como técnica utilizada em arteterapia, permite exercitar novas maneiras de olhar a nos mesmos e a tudo o que nos rodeia. É um dos caminhos mais interessantes para organizar e transformar sentimentos.(CRISTO, Edna Chagas; SILVA, Graça Maria Dias da. Criatividade em artetarapia: pintando e desenhando. Rio de Janeiro: SENAI, 2002.)A pintura espontânea oferece-nos a possibilidade de harmonizarmo-nos com uma ordem maior. Criamos uma certa fluidez entre o micro e o macro-cosmos. O essencial é que a pessoa sinta uma emoção forte e pinte isso, (...) deixando a emoção pura passar para a tela.(BELLO, Susan. Pintura espontânea. Imagens da Transformação No. 2)
Relevo em metal. A característica metafórica da atividade coloca em jogo conceitos opostos tais como: empurrar / fazer avançar, mostrar / esconder, côncavo / convexo, cheio / vazio, dentro / fora. Se ela pode ajudar o sujeito a integrar essas noções em sua vida cotidiana, também, pode, devido à reversibilidade da obra, criar uma confusão nos sujeitos frágeis.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)

Tear simples. Armá-lo traz a preparação para criar o instrumento que permitirá construir a própria história. Quando pronto, o tear oferece uma forma preestabelecida (moldura) que será preenchida de forma escolhida pelo sujeito. É, então, preciso separar os fios para integrá-los de uma nova maneira. Tecendo criam-se ligações nas linhas que se entrelaçam e vínculos nos nós.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)

Vitrais de papel. Trata-se (...) de deixar passar a luminosidade de maneira a construir, entre o lugar interior e o exterior, um limite e um diálogo. Trata-se de fazer penetrar a luminosidade através de um espaço estruturado, composto, que tem suas próprias leis.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)

Fonte: http://terapiaestarbem.blogspot.com

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