Criatividade

Existem varias definições para a criatividade, e uma delas á considera como uma porta que se abre para novas experiências e auto – realização, motivada pela urgência do individuo em realizar-se. Ela é também uma das funções ativadoras do organismo, e como diz Rogers (1961), tem certas condições e uma delas é a capacidade de responder á coisas, tais como são elas, em vez de fazê-lo mediante as categorias convencionais. Dessa forma Rogers observa que a pessoa é criativa enquanto realiza as suas potencialidades como um ser em sua totalidade, sem regras e interferências impostas e com intensidade e espontaneidade.

De acordo com Fayga (1986), criar é formar e poder dar forma, é algo novo que explora a capacidade humana, e que não esta presa somente ao ramo das artes, ela também se faz presente a ciência e a vida. Ela fundamenta a sua concepção, quando relata que a criatividade é um potencial inerente ao homem e a realização do mesmo, para que possa suprir suas necessidades. Viver e criar são coisas interligadas que abrange tanto a capacidade de compreender as coisas, como de relacionar, ordenar, configurar e significar. E esses processos ocorrem paralelamente com a intuição, e só se tornam conscientes quando são expressos, ou seja, quando tomam formas. Para Fayga a imaginação é um dos sentidos indispensáveis para a criação, além é claro da inspiração que é o resultado de uma associação de idéias no nosso subconsciente.

A mente funciona da seguinte forma: - Diante de um problema o cérebro busca as informações necessárias que são armazenadas em um banco de dados, e posteriormente as manipula de forma que possa encontrar uma resposta ou uma solução. Esse processo ocorre como um quebra-cabeça, que através de associações e experimentações entre os vários elementos combinados, tenta montar o jogo, esse é o momento em que a imaginação brinca com as varias possibilidades para montar as peças certas. Durante essa montagem do jogo, mecanismos e sínteses irão se formar, para que as peças sejam encaixadas corretamente, e a esse momento da-se o nome de inspiração, segundo o dicionário Michaelis, a explicação para a inspiração é que ela surge como uma idéia repentina, natural e singela.

De acordo com Montenegro (2004), a criatividade pode ser definida como a união da imaginação, realização, expressão e construção. Já Torrance (1965), define que a expressão criativa é o processo de tornar-se sensível aos problemas e as deficiências, assim como as lacunas no conhecimento junto á desarmonia, comparando assim as dificuldades na busca de soluções, onde as hipóteses devam ser testadas e retestadas para finalmente expressar os resultados.

Sendo assim, a criatividade passa por varias analises e definições, estando sempre ligada ao homem e suas relações, mas no passado ela esteve ligada ao conceito estético do período romântico, aproximadamente no século XVlll, onde a imaginação e a emoção estava em evidência, e os sentimentos eram inspirados na realidade e expressados com intensidade através da arte. Conforme o tempo passava, a criatividade tomava outros caminhos, chegando até ser associada à insanidade mental por ter uma natureza irracional. Durante o século XlX, a concepção do ato criativo estava diretamente ligado ao artista, que por sua vez passou a ser analisado como louco, e foram esses motivos que influenciaram mais tarde a psicologia em seus estudos sobre a estreita relação entre a criação artística e o estado psicótico. Nesses estudos sobre estados psicóticos, a psicologia se embasou na livre associação de idéias que eram extraídas através da inspiração que só os gênios de mente criativa possuíam, pois eram capazes de criar em condições diferenciadas dos demais indivíduos que estavam dentro do contexto de normalidade.

No caminho da educação, a criatividade passou a ser introduzida nos métodos pedagógicos de Freinet, Montessori e Rudolf Steiner que valorizavam a expressão criativa da criança no processo de ensino. Outros profissionais da área de educação e psicologia como Vygotsky, Piaget e Delacroix, também se preocuparam em explicar a relação entre a emoção e a fantasia, assim como a origem desse processo criativo na arte e na vida do ser humano.

Nos dias atuais o criar se tornou uma ação importante no homem, neurologistas, psicólogos, arte-terapeutas e arte-educadores seguem uma mesma linha de pesquisa, a de encontrar uma resposta para definir de fato que a estimulação da criatividade atua e auxilia em vários fatores como o ambiental, social, psicológico e patológico.

Segundo George Kneller (1908), muitos estudos foram feitos dentro da educação embasados no processo criativo, e foram aplicados testes e métodos para desenvolvê-la, dessa forma a educação quando criou padrões convencionais desestimulou a capacidade criadora das crianças, os métodos de ensino precisariam sofrer profundas transformações para favorecer a criatividade.

A auto-realização, autoconfiança, abertura para a experiência, aprender como “incorporação”, são estágios da criatividade, que só poderá ocorrer nas escolas, quando alunos e professores se encontrarem como seres humanos, e em condições ideais para transcender os sentimentos e favorecer o crescimento interior, assim como o desenvolvimento cognitivo.
Em grande escala, nosso sistema educacional esta engrenado para uma única fase do desenvolvimento: a da evolução intelectual. Aqui, a aprendizagem é muito fácil de medir, mas isto equivale a definir aprendizagem numa acepção muita estreita. A aprendizagem não significa meramente, acumulação de conhecimentos; também implica uma compreensão de como esses conhecimentos podem ser utilizados.

Devemos estar aptos a usar nossos sentidos livremente, de uma forma criadora, e a desenvolver atitudes positivas em relação a nós próprios e àqueles que nos cercam (LOWENFELD-BRITTAIN, 1977, p.27).

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