A Arte no século XX

Por Annelvira Gabarra

“A Arte no nosso século é tão diferente das Artes passadas porque ela está no início do Espírito do Tempo Micaélico, no início da Liberdade e da Criação Individual. Micael, entre os arcanjos, é o espírito calado com gesto de recusa. Assim Steiner o caracteriza, pois Micael, categoricamente, recusa tudo que não vem da criação individual; por essa razão ele não pode dar mais nada para o ser humano. Ele não deve dar mais nada, porque o ser humano tem que extrair todos os impulsos do seu pensamento e da sua atuação dentro de si próprio. Micael caladamente espera as ações do Eu; ele espera a “Criação” surgindo do nada. Porque só dessa forma o Eu alcança o futuro. A criação vem do nada, do vazio interior. Nas pinturas sacras antigas, o dourado se refere ao mundo espiritual, à luz espiritual”.
- Rudolf Steiner, tradução de Beate Hodapp

Assim é que a Arte transforma o Homem, na tentativa de transformar o material, seja as cores, a argila, a madeira, a pedra, o tecido etc. Como atuar artisticamente na Vida? Como desenvolver uma atitude criativa diante da vida ?
Essa questão é essencialmente para o indivíduo que quer atuar no mundo como um verdadeiro ser humano. Vejamos o que Rodolf Steiner disse sobre a atividade artística:
“Numa atividade artística exercitamos a totalidade do nosso Ser, pois o pensar, o sentir e o querer são convidados a participar envolvendo assim nossa percepção, sentimento e vontade. A criatividade faz parte de nossa natureza, nos proporciona bem estar e é fundamental para o desenvolvimento de nosso pleno potencial. A arte ajuda no desbloqueio da criatividade e melhora a qualidade de vida, apoiando o processo de mudança; para se beneficiar e usufruir do efeito terapêutico harmonizante da Arte, não é necessário ter dom artístico ou vivência prévia, pois o importante é o caminho interior ativado pelo terapeuta. Não importa o que é, mas sim o que poderia ser; não o real e sim o possível. Nas criações artísticas expressamos nossa essência e assim encontramos em nosso interior satisfação e plenitude. O que importa é a autenticidade da produção única e pessoal”.- Rudolf Steiner

Nossa vida imaginativa e nosso sentir durante a pintura. A unilateralidade está presente cada vez mais em nossas vidas, seja nos sentimentos, nos pensamentos ou nas ações. Muitas vezes, ao se pensar sobre algo, se perde a amplitude de visão, graças a hiperinformação do pensar, à especialização exagerada. Uma objetividade muito acentuada interfere, bloqueia a vida dos sentimentos, que é responsável por pensamentos vivos, coloridos e amplos. Assim é que o indivíduo torna-se egocêntrico, pois seus pensamentos giram a serviço de seus próprios desejos.

Segundo R. Steiner, durante a pintura, “as representações devem desfazer-se”, mas depois” ressurgir no sentimento como cor”. O sentimento deixa-se marcar pela essência da respectiva cor e o caminho para se penetrar na Essência da cor só é percorrido quando o fazemos com o sentimento, por meio da Vivência das Cores. Pintar... pintar... pintar... Num primeiro momento, o importante é somente a vivência da cor ou cores, só depois iremos observar se naquilo que foi pintado podemos vislumbrar figuras ou paisagem que serão então desenvolvidas conscientemente. As “emoções” vividas movimentam o corpo sensitivo que é parte do corpo etérico-vital. Partindo dessa afirmação, podemos dizer que as “impressões sensoriais sempre influem sobre os processos corpóreos. Elas podem destruir, como também vitalizar e fortalecer".
“O trabalho artístico prepara o caminho para os espíritos que querem ajudar alguém a seguir em frente. Se quisermos trilhar esse caminho, devemos trilhá-lo com amor. Então a paz e a harmonia estarão entre os homens sobre a Terra. Desse Espírito de Amor, que na verdade é o espírito do verdadeiro elemento artístico, emanará o Espírito da Paz, o Espírito da Harmonia, o Espírito do Amor sobre a Terra”.-Rudolf Steiner
Terapia Artística
Fonte: Terapia Artística, vol 1, de Paul Von der Heide

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