A POIESIS E A CONSTRUÇÃO DA REALIDADE E DOHOMEM NA PÓS-MODERNIDADE

(...) Por isso não podemos pensar a arte, a poiesis, nas suas concepções tradicionais, esgotadas e insuficientes para enfrentar o abismo que nos ameaça na vigência da essência da técnica. É quando a experienciação técnica da realidade e do homem se torna um perigo que mais se torna urgente a “salvação” da realidade e do homem como experienciação poética. Esta nos instala na essência da verdade, que é a verdade da essência. O grande perigo que ronda a pós-modernidade, enquanto regida pela essência da técnica, é o grande perigo de que esta venha a vigorar na apropriação da verdade e se torne a única via da verdade. Assim sendo, o lugar da poiesis na construção da realidade e do homem passa por uma ultrapassagem das concepções da arte baseadas nas formas e na fruição estética para uma apreensão do seu vigor essencial como manifestação do que a realidade e o homem são em seu sentido e verdade. Uma tal pesquisa empreenderá uma reflexão fundamental sobre o lugar da poiesis na construção da realidade e do homem através de uma Paidéia poética. Não significa isto a proposta de um novo sistema salvador e messiânico de um ideal de homem e de realidade, mas simplesmente um re-vigoramente da pro-cura como Escuta do apelo de reunião (Logos) de homem e realidade enquanto sentido e verdade (aletheia).

@Manuel António de Castro
Universidade Rio de Janeiro

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