Entrevista com ArteTerapeuta - abordagem Junguiana e Psicoterapia Transpessoal


É preciso ser artista para se fazer terapia com a arte?

Claro que não! Não há necessidade de conhecimentos prévios das artes para fazer Arte-Terapia. Esse tipo de abordagem foi criada para estar ao alcance de todos. Trata-se da expressão livre das emoções e as tomadas de consciência dos nossos padrões de comportamentos inconscientes, permitindo então a transformação.

Aliás, é muito importante salientar que quando uma nova paciente informa que pratica uma arte regularmente ( a pintura por exemplo), raramente iremos praticá-la na sessão de terapia. Neste caso, iremos trabalhar modalidades artísticas que ela desconhece e de vez em quando observar e analisar obras que ela tenha feito em outras alturas da vida na área da pintura.

Então para que serve a Arte -Terapia?

Um terapeuta faz a pessoa compartilhar os seus momentos de crise, ajudando-a assim a ultrapassá-los. No caso da arte terapêutica, a grande diferença é que a pessoa em sofrimento mental ou existencial está acompanhada e se encontra num espaço seguro debaixo do olhar complacente do terapeuta.

Quais são as doenças e problemáticas que a Arte-Terapia pode tratar?

A Arte-Terapia oferece um grande campo de acção terapêutica e pode ser utilizada nos seguintes casos :

•depressão
•estresse pós-traumático (após um acidente, doença grave, aborto, parto, etc.)
•perturbações da personalidade
•problemáticas afectivas
•estresse, ansiedade e fobias
•dependências químicas, com álcool e/ou drogas
•distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia
•crises existenciais resultantes de separação, divórcio, luto, mudança profissional, de país ou de região
•procura voluntária de conhecimento de si mesmo ou de desenvolvimento pessoalOferece a vantagem de poder ser utilizada por todas as idades, em pessoas doentes (com cancro por exemplo), deficientes, psicóticos e também em idosas.

Quais são as modalidades artisticas utilizadas?

Alguns arte-terapeutas especializam-se numa arte em particular, como a dança, as artes plásticas, o teatro, etc. No meu caso em particular , utilizo várias modalidades artísticas, por ter estudado e trabalhado com diversas artes antes de me tornar terapeuta, tais como : pintura, desenho, escrita, dança, modelagem, música, teatro, máscaras, mandalas, etc.

Toda esta variedade permite-me utilizar a arte adequada no momento certo da terapia (é possível que várias modalidades artísticas sejam utilizadas numa só sessão se o caso assim o exigir). É de salientar que pintar uma tela não irá activar dentro da paciente o mesmo processo que a dança ao som de uma música. Tudo irá depender do momento, da pessoa e do que está se passando com ela naquele instante ou naquela fase de sua vida.

Que abordagem psicológica é utilizada nas sessões?

Isto é algo que varia de um arte-terapeuta para outro. Eu escolhi a abordagem Junguiana e Transpessoal (ver “categorias” C.G.Jung e Psicoterapia Transpessoal), porque a arte permite um contacto directo com o inconsciente e o mundo dos arquétipos.

Depois de terminada a minha formação clínica, comecei a estudar a arte-terapia, e a abordagem da psicologia feita por Jung era aquela em que na minha opinião fazia mais sentido, inclusivamente no que diz respeito ao trabalho com mulheres, visto que ele não se limitou à noção do Inconsciente pessoal, indo mais além na descoberta do Inconsciente colectivo (este e outros tópicos são explicados na secção dedicada à ele).

Numa primeira consulta é feito um levantamento da história clínica da paciente, onde é perguntado quais são as suas queixas e os objectivos que pretende alcançar com a terapia. Utilizo então o diagnóstico clínico que classifica os disturbios da psique, pois este permite-me estabelecer uma estratégia terapêutica. Nas sessões seguintes, os trabalhos artísticos nos levam obrigatoriamente a interpretação na visão Junguiana e em determinadas situações na visão Freudiana.

Concluo este artigo a citar a conclusão do livro da arte-terapeuta francesa Nicole Weill (Ma pratique de l´art-therapie-Ed.Le souffle d’or) :

“Cheguei a conclusão que os artes-terapeutas não correspondem ao perfil típico dos analistas e psicoterapeutas, acredito sinceramente que constituem uma profissão diferente, uma nova corrente mas próxima ao xamanismo e ao misticismo. Uma sessão de arte-terapia equivale a uma cerimônia sagrada na qual o sentimento dominante é a devoção. Uma profunda devoção para o “Tudo” que o terapeuta reverencia no outro. O Arte-Terapeuta é “um apaixonado” pelo Si mesmo (ou Eu superior que nos liga ao “Tudo”)»

Fonte: © Nathalie Durel

1 comentário:

  1. Nathalie , sou psicologa e psicanalista há mais de 30 anos .Tenho uma experiência fantástica no trabalho de coordenação de equipe multidisciplinar co paciente paralisados cerebrais , utilizando principalmente o trabalho da terapeuta ocupacional na linha de arteterapia. Este trabalho nos trouxe muito retorno . Gostaria de conversar com vc pessoalmente. Meu nome é maria lucia . email: gullofer@hotmail.com tel. 21 98691267. Aguardo contato

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