Arte ao serviço do indivíduo em sofrimento

O carácter universal da arte permite a sua aplicação como terapia, tanto no tratamento de pacientes adultos como infantis, portadores de diversos graus de deficiência e com vários objectivos.

A arte serve no processo da integração psicomotora, que é encarada como um pilar essencial da aprendizagem não verbal da criança. Um dos objectivos da arte-terapia é, por consequência, a estimulação multisensorial como instrumento de desenvolvimento das capacidades que facilitam a reabilitação e a educação.

Por outro lado, quando as emoções e os pensamentos não encontram acolhimento social, voltam-se para dentro num turbilhão de energia. Através da linguagem artística abre-se uma possibilidade da pessoa organizar o seu caos interior, passando das imagens internas à experimentação da realidade.

O atendimento de crianças com autismo, por exemplo, ocorre a partir da construção de uma relação primordial com o terapeuta. É importante que a criança possa fazer-se ouvir, fazer-se ver, para que, então, possam ser realizadas as construções que deveriam ter acontecido nos primeiros anos de vida (Sielski & Cardoso, 2004).

De acordo com a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10 (Organização Mundial de Saúde [OMS], 1993), o autismo é classificado na categoria dos transtornos invasivos do desenvolvimento. O autismo infantil manifesta-se antes da idade de três anos. Caracteriza-se por anormalidades qualitativas nas três áreas seguintes: interacção social, comunicação e comportamento, que é restrito e repetitivo (OMS, 1993).

A teoria Winnicottiana apresenta a problemática do autismo como imaturidade emocional. De alguma forma, o amadurecimento da criança foi interrompido pela inadequação ou insuficiência do ambiente perante suas necessidades.

Essa compreensão pode evitar que o autismo seja tomado como uma doença nos termos da psiquiatria, como uma entidade nosológica na qual, muitas vezes, retira-se a importância da relação ambiente-indivíduo na constituição do problema.

Assim, durante a parte inicial e a maior parte do processo psicoterápico, procura-se facilitar o desenvolvimento da parte não autista.

As crianças com autismo costumam ter problemas no desenvolvimento corporal, resultantes de ansiedades primitivas. Vimos préviamente que, durante as sessões de equoterapia são estabelecidas estratégias para o manejo do corpo. Durante a fase seguinte de arte-terapia serão exploradas, graças ao trabalho, a interacção com a matéria - as emoções vividas de maneira que sejam incorporadas - o que constitui em arte-terapia a base de um processo que vai da emergência da discriminação eu/não-eu à construção da identidade.

As vivências da primeira etapa terão deixado vestígios de uma nova dinâmica no corpo do paciente. Ou seja, uma nova relação ao mundo e é importante que esta memória tome corpo e seja simbolizada. A simbolização é o acto fundamental que põe-nos como actor na nossa relação para com o mundo que nos rodeia (seja ele verbal ou não ). Desta interacção com o exterior, o paciente inicia com o arte-terapeuta um tipo de vínculo no qual reconheçe o outro como alguém diferente dele, fundamental para o crescimento mental.

Enfim, o objectivo de trabalho reúne-se sob a dinâmica de um processo que desejamos criar em favor da emergência do indivíduo : a INDIVIDUAÇÃO.

Podemos então concluir que a Arte-Terapia é fundamental para a evolução positiva e concreta dos deficientes, principalmente se eles são atendidos em sessões individuais que toma em conta as problemáticas e as particularidades individuais de cada ser.

Conclusão
Arte ao serviço do indivíduo em sofrimento. A avaliação e o tratamento de patologias feitas suficientemente cedo permitirá evitar situações dramáticas no futuro ( ex. dependências, internamento etc...).

Fonte: © Associação Cavalo.com Arte

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