Em que consiste a Terapia Artística ou Arteterapia?

Toda criança desenha, constrói, experimenta e transforma o uso dos objetos com uma liberdade e uma criatividade notável. Criar é a primeira linguagem do homem que lhe permite assimilar as experiências vividas e traduzi-las. É um dom inato cuja espontaneidade se perde em geral com a socialização.

Ao longo da Antigüidade, as artes surgiram como formas de cada sociedade expressar criativamente a sua percepção do mundo. Para manter a coesão do grupo, seus ritos e mitos eram constantemente representados de múltiplos modos, assim como transformados segundo a evolução da época. Para os gregos, as artes como música, poesia, teatro, escultura eram tidas como curativas, verdadeiros remédios para a alma tanto do artista quanto do espectador.

A Arteterapia resgata essa tradição milenar e compreende as atividades criativas da arte como elementos terapêuticos de grande poder transformador.

Ela pode se ancorar sobre modelos teóricos distintos (gestalt, transpessoal, antroposofia, ludoterapia, psicanálise) mas encontra sua fundamentação mais abrangente na psicologia junguiana. Esta considera a atividade simbólica da alma – praticada diariamente nos sonhos - como necessária e singular à cada homem para estruturar a progressão de um mundo interno mais saudável. Por amplos estudos, Jung revela a universalidade de muitos símbolos e como temas matriciais regem os processos de criação, pedindo uma constante redefinição por parte do indivíduo que cria.

A Arteterapia oferece os recursos expressivos do desenho, pintura, modelagem, colagem, tecelagem, construção, criação de personagens, etc. para auxiliar a pessoa a contactar o seu universo profundo e dar-lhe forma simbólica palpável. Ao trabalhar a forma plástica externa, vão se elaborando e polindo as formas internas, num diálogo pessoal que leva aos poucos à uma ampliação de consciência e mudança de atitudes.

Cada um tem um processo de criação particular e as diferenças são sempre respeitadas. O objetivo não é a estética das produções, mas a recuperação da possibilidade de cada um criar livremente para, através dos símbolos que vão surgindo pouco a pouco, mapear suas limitações e ativar seus núcleos sadios, fortalecendo assim o seu processo de individuação ou seja, a apropriação de si-mesmo.

A Arteterapia tem surgido como uma solução produtiva para a promoção, preservação e recuperação da saúde e do equilíbrio interno. Ao integrar três áreas de conhecimento – Arte, Saúde e Educação – ela possibilita uma ampla transformação dos indivíduos e assim, se inscreve no elenco de processos possíveis que abordam o ser de forma holística, tendência cada vez mais forte na consciência coletiva do terceiro milênio.

Annie Rottenstein

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